20.10.07

Minha vida de gato

Acordo tarde, já começa o dia e eu me espreguiçando bastante, adoro dormi na cama dos outros, sou um pouco lento, mais só um pouco, detesto água mais sou muito limpinho, todo mundo quer pegar em mim, mas não gosto muito desse contato o tempo todo, meu banho de língua encanta qualquer um, vivo brincando com a minha bola de lã e quando fico enjoado deito e durmo, como infelizmente não moro sozinho tenho que preservar alguns atos íntimos meus, sou exigente e minha comida tem que estar pronta quando chego do meu passeio diurno, nem gosto de implora por carinho, simplesmente consigo ser dengoso e quando menos esperam, estou deitado no colo ou no sofá de alguém, fico mais próximo de quem mais me dá comida, tempo frio não é comigo, não gosto de sair pra baladas noturnas, é só escurecer que eu já fico deitado no tapete bem quentinho e estirado, sou esperto e faço todos gostarem de mim, pois não dou trabalho, me acho tão esperto e bonito que ficar gastando minha voz de locutor é um desperdício, mesmo sem saber ler esses livros que os humanos lêem, sou bastante inteligente, me tratam tão bem e eu não preciso fazer nada, já o puxa saco do FM, o cachorro que mora na mesma casa que eu vivo, fica o tempo todo no pé pedindo carinho e só recebe carão, sai até na chuva quando os humanos chegam, e se por um acaso tiver um assalto na casa, ele vai ser o primeiro a morrer, vive metendo o focinho onde não é chamado e quer defender Deus e o mundo, até parece! Sou mais eu, se isso acontecer, vai ser o assaltante entrando pela porta e eu saindo pela janela, depois cronômetro um espaço de tempo de três horas pra voltar com segurança e chego como se nada tivesse acontecido, do tipo que fala: Olha o que aconteceu? Nossa que fez isso? Se todo mundo parar pra pensar comigo, vai enxergar que eu não tenho sete vidas a toa.

Mulheres por um dia

Período de férias em ritmo de carnaval, a casa lotada com 35 pessoas em plena agitação e, às 7h, já se escutam os primeiros passos, alguns só acordam ao meio dia, mas eu não estou inclusa nesse grupo de preguiçosos. A primeira a se levantar é minha tia Conceição, com intuito em querer arrumar tudo e fazer a comida pra hora do almoço. Logo depois, eu e minha mãe nos levantamos dos colchões em que estávamos deitadas na sala e minha tia começa a mexer nas panelas e falar bem alto:
- Chega de dormir, tá na hora de acordar, o sol já apareceu.
- Esse povo só quer saber de dormir e achar comida pronta - diz minha mãe, que começa a conversar. - Conceição, cadê Jé e João?
- Acordaram cedo, comeram e foram na padaria comprar o pão, o carvão e o bendito do cigarro.
- Sabia, João me acordou só pra perguntar se tinha cigarro em casa.
Com todo esse fala-fala na cozinha, não tinha aquele que não acordasse, pois a casa é de telha e o que se fala em um canto se escuta no outro. Todo mundo começa a se arrumar pra curtir o dia. Os homens com suas sungas coloridas com largura “cinco dedos” e as mulheres com seus biquínis minúsculos pra se bronzear no sol de quase 40º graus.
- Mãe, tem gente buzinando na porta, eu acho que é meu pai. Abre lá - diz meu irmão.
- João chegou, me ajuda a abrir o portão aqui meu filho.
- Quando João sai do carro, começa a perguntar pelo caseiro: cadê Jorge pra cuidar da piscina?
- Ele deve estar se maquiando pra sair nas Donzelas - diz minha mãe.
- Ele também vai? - pergunta meu pai, dando risada como se tudo já estivesse combinado. - Vou ligar pra ele.
Quando menos se espera, toca a campanhia e lá vou eu, toda gaiata, correndo ver quem tocou. Quando abro a porta me deparo com Jorge, Léo, Tampinha, Luciano, Ian, Gardenal e mais cinco homens que não conhecia, todos vestidos de mulher. Não contive as minhas gargalhadas que foram escutadas por todo mundo. Deixei-os entrar e, a partir daí, já viu, começou a baixaria, eles ficaram perturbando os homens que estavam em casa até que todos se vestissem de mulher também.
As mulheres logo aderiram ao espírito da coisa e cada uma vestiu o seu par da maneira mais feminina possível. Como eu não podia ficar de fora, vesti o meu noivo e aproveitei pra fazer a maquiagem de todos eles. Quando já estavam prontos, foi a maior festa, mais de quinze homens vestidos de mulher saindo de uma casa, parecia até uma passeata gay. Pra completar, meu pai era o comandante da frota, com um lindo sutiã vermelho, uma saia floral bem curta que, quando o vento passava, levantava. Uma margarida de plástico amarrada na orelha dava o toque final na montagem.
Saindo de casa, os “homens” foram para o ponto de encontro, na praça principal de Jauá. A partir dali, a festa começou, com direito a fanfarra e muita cerveja. Todo esse ritual foi pra comemorar o Carnaval de 2007 no trio sem corda das Donzelas, que acontece há mais de 20 anos em Jauá. Todos os moradores e veranistas participam da festa. Como ninguém quer ficar de fora, eu e as outras mulheres acompanhamos nossos maridos ou namorados na festa que só terminou quando a noite chegou.
Mas, no dia seguinte, uma nova festa foi feita, afinal de contas era Carnaval!

Minha casa é inesquecível

O local que escolhi é uma casa, simples, bonita, grande e aconchegante. Se torna inesquecível para quem teve o prazer de visita-lá. Lá todos que passam deixam histórias inesquecíveis para serem lembradas todas as vezes que eles retornam.
Essa casa nasceu em Jauá, que faz parte da cidade de Camaçari, e pertence aos meus pais há quase 4 anos. O lugar não é muito movimentado, típico de um local meio interiorano e a residência é das que constitui um condomínio chamado Lagoa de Jauá, próximo à pracinha principal do sub-distrito, com um pouco mais de 420m2 , se torna algo impossível de não ser notado por todos que passam pela rua.
O recanto onde hoje meus pais vivem, possui nove quartos, cinco banheiros, uma cozinha, duas salas e poucos móveis, que se encontram em uma das salas e na cozinha. Dentro da casa o que é mais atraente são os colchões para dormi e uma televisão para se divertir , já no exterior há uma piscina com 24m2, varias árvores frutíferas e em volta de uma grande churrasqueira flores que dá cores diversas ao espaço já tal bonito .
Da casa ainda temos o privilégio de ter o mar como vizinho e companheiro dos dias de sol, para agradar a todos que desfrutam “o recanto da alegria”. A noite não tem muito a fazer além de olhar para o céu e cortejar a lua, mas quando toda a família está reunida, as travessuras surgem como num par de mágicas, essa casa é muito especial, é totalmente abençoada por Deus. Quem conheceu nunca irá esquecer!

O jeito no início deu medo!

Menino meio que explosivo (estressado). Foi desse jeito que o conheci, através dos nossos amigos em comum, como o Victor. O nome é Emerson Cunha, meu amigo de sala das Faculdades Jorge Amado e agora companheiro de transferência para a Faculdade Social da Bahia, onde nos aproximamos um pouquinho mais.
Já no segundo mês de aula, posso ver que Emerson, um rapaz que não aparenta ter mais que 20 anos, possui características de um homem sério e culto, se dedica ao curso universitário de jornalismo e está à procura de oportunidades profissionais que sejam compatíveis com a escolha de ser um bom jornalista.
Ele é negro e tem olhos castanhos que enxergam melhor com uns óculos de estilo versátil com artes pretas. Cabelos curtos e escuros, rosto bem definido e carismático, corpo atlético que aparenta fazer algo como academia ou natação, alto com média de 70 quilos, Emerson se mostra bem cuidadoso com sua alimentação e seu visual. Não sei para qual time ele torce, mas não aparenta ser muito ligado a essas coisas de torcida organizada e futebol.
Usa roupas da moda, como calça jeans e camisas de marcas bem conhecidas por uma parcela da sociedade, um estilo comum e bem sugestivo para qualquer momento. Usa também mochilas laterais e tênis conhecidos. Gosta de sempre estar bem apresentável e de se sentir bem com o seu jeito de vestir.
Dedica-se a ler livros sempre que possível e não coloca os estudos em segundo plano, pois faz de tudo para deixar os exercícios da faculdade prontos. Bem organizado, Emerson utiliza o seu tempo de lazer para sair e curtir com pessoas com as quais ele tem mais intimidade ou, então, ficar ao lado de sua família e de sua namorada. Extrovertido e responsável, faz cada momento o único e agradável.

Carnaval sem Fronteiras

O carnaval é uma das festas mais conhecidas do mundo, onde as pessoas saem nas ruas para se divertir e acabam mudando temporariamente sua rotina e muitas vezes seu modo de agir. Um evento cultural que surgiu na Europa, mas como os baianos falam “o carnaval nasceu na Bahia”.
Nos últimos tempos o carnaval é festejado de varias formas a depender da região que esteja acontecendo, existem três carnavais bem distintos como, o frevo e os bonecos gigantes de Pernambuco, as escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo e os trios elétricos da Bahia. Mas eles têm algo em comum, que é a alegria e folia do povo. Mesmo sabendo de tudo isso para mim não há festa melhor que o carnaval da Bahia, no lugar que passei meu carnaval foi pura festa e nem se engane, pois não era Salvador. Seja no interior ou em outra cidade, as pessoas curtem e fazem seus próprios cortejos tudo é motivo de alegria, Jauá – Distrito de Camaçari é um exemplo, pra mim foi o carnaval mais divertido e engraçado que já existiu.
Os homens que se vestiram de mulher e saíram nas ruas ao som de uma fanfarra, trios elétricos que tinham como atração grupos de Pagode as famosas “quebradeiras” como Fantasmão, Parangolé e Sensação do Samba. Era sem duvida um típico carnaval baiano sensual, alegre e divertido. Sem desprezar os outros carnavais, mas só a Bahia e os foliões baianos conseguem ter em seu corpo e coração essa magia que contagia todos os anos cada vez mais no carnaval que já se tornou noticia mundial.

Escrito em 23/02/2007

O Crime do Natal

Salvador é uma cidade que contem lugares incríveis, um deles que se destaca pelo clima boêmio e por uma incomparável magia é o bairro do Rio Vermelho, repleto de restaurantes, bares, hotéis e muita musica esse local torna-se popular e bastante acessível à grande parte da sociedade soteropolitana. A parte que eu mais gostava era o bar Santa Bárbara onde me reunia com a galera e sentava para ouvir boa musica e dar muitas risadas, a turma era formada de oito pessoas, eu, Nanda, Beto, Thiago, Aline, Marcos, Julio e Ruy, nós éramos unidos e sempre saiamos juntos para os barzinhos que ficavam próximos de nossas casas.

Com o passar do tempo os lugares que gostávamos de freqüentar foram ganhando um novo tipo de clientela, pessoas que só estavam lá pra se embriagar e procurar confusão. O Rio Vermelho já não era o mesmo, à medida que o bairro se tornava mais freqüentado, ficava cada vez mais violento, fazendo com que nos afastássemos da nossa segunda casa.
Mas nem todos achavam que por esse motivo tínhamos que deixar de freqüentar os lugares de costume, um deles era o Ruy que não aceitava que lhe fosse suprimida a liberdade de continuar se divertindo nos bares de sempre, mesmo que sozinho Ruy continuou a sua rotina noturna e como já era de se prever ele se envolvera numa briga em que ficou jurado de morte, mas nem por isso Ruy deixou de freqüentar os mesmos locais.
Final de ano e a ansiedade cresce ao pensar nas festas que estão por vir. Dia 23 de dezembro, já bem próximo do natal e nada parecia impedir o encontro da nossa galera em minha casa, todos estavam convocados a passar a noite do dia 24 juntos. Mais o não tão inesperado aconteceu, por volta das duas horas da madrugada do dia 24, Ruy foi assassinado com três tiros a queima roupa por Eliezer Cardoso da Silva o guarda civil que em algum tempo atrás o teria jurado de morte. O crime aconteceu na porta do bar que mais freqüentávamos, Bar Santa Bárbara, de onde a vitima se retirava e em cujo assassino prestava serviços de leão de chácara (segurança). No amanhecer do dia fiquei sabendo de tudo que tinha se passado, pois morava próximo ao local que Ruy foi morto, a noticia se espalhou rapidamente entre os amigos e familiares, foi chocante para todos que conheciam ou não o nosso amigo. A véspera do natal não foi como esperado, tornou-se ao invés de uma confraternização alegre, um velório triste e inconfortável por saber que um jovem de vinte quatro anos foi vitima da covardia de um homem que o assassinou com uma arma de fogo. Depois do assassinato de Ruy, o Rio Vermelho mergulhou numa fase de hibernação que durou cerca de nove anos.
Escrito em 05/07.

Mãe, Amor de Mi Alma


Esta pessoa construiu em mim a vontade de ser sempre mais, a todo momento vou agradecer-lhe por cada conselho, cada carinho, cada bronca e cada olhar que tem me dedicado. Esse ser iluminado por Deus, foi que me deu a luz e me fez aprender que não a nada de mais valioso do que o amor, o conhecimento e a vida.



Mãe Obrigada por existir!