6.7.08

Artigo - As Estratégias de Divulgação da Indústria Fonográfica: o gênero Black Metal de Salvador[1]


Resumo: este artigo visa analisar o conceito de independência na música fonográfica brasileira e apresentar as estratégias de divulgação do subgênero Black Metal de Salvador, através da comparação com uma banda local. A Imperial Baphomet. Os resultados encontrados na pesquisa, bibliográfica e a realidade vivenciada pela Banda Imperial, evidenciou que a indústria fonográfica, mesmo diante das crises que vem sofrendo com a “pirataria”, tem conseguido ampliar o seu s lucros através das diversas estratégias de divulgação. Quanto às bandas consideradas “independentes”, a exemplo da Imperial Baphomet, do subgênero musical Black Metal,que trabalha com a divulgação boca-a-boca e através de fly que atinge a um público restrito, fazendo com que este estilo musical alcance, prioritariamente, àqueles que gostam do gênero.
Palavras-chaves: 1. Indústria Fonográfica; 2.Black Metal; 3. Estratégias de Divulgação.


1. Introdução

O conceito de independência, quando se trata da indústria fonográfica, está intrinsecamente vinculado a toda a produção musical que não passa pelas grandes gravadoras do País. Essa referência foi copiada dos Estados Unidos da América – EUA onde determinados segmentos musicais como o Blues, o Jazz e o Rock n’Roll recebem essa conotação, a qual, de certa maneira, pode ser classificada como pejorativa.
É válido ressaltar que, a identidade independente, antes de tudo, associa-se ao estabelecimento de um mercado próprio que permita aos pequenos produtores existirem sem serem ameaçados pelo poderio das grandes empresas (DE MARCHI, 2004).
Dentro deste mercado O Movimento Independente Brasileiro teve como principais representantes a compositora Chiquinha Gonzaga e seu esposo João Batista, que juntos abriram no Rio de Janeiro uma fábrica de discos, a qual serviu de alicerce para lançar artistas de grande relevância nacional (CAZES, 1998).
Na trajetória da indústria fonográfica brasileira, as décadas de 60 e 70, foram as que mais apresentaram destaque quando se trata de produção independente.

Independência naquele contexto parecia se referir primeiramente à questão do controle artístico: os punks [...] assumiram uma oposição entre arte e negócios, com honestidade de um lado e burocracia do outro. Isto envolvia não apenas argumentos da cultura de massas acerca da mercadoria, mas também um argumento romântico sobre a criatividade. Músicos não eram vistos como trabalhadores, como empregados culturais, mas como artistas individualizados (FRITH, 1981, p. 159).

O movimento Punk alavanca esse processo de independência. Dentro dos demais segmentos dá-se um destaque especial ao músico Antônio Adolfo que em 1979, conseguiu alcançar a marca de 80 mil cópias vendidas em seu primeiro disco independente (DIAS, 2000).
Conforme pode ser observado nas fontes consultadas, o ponto em comum entre essas experiências reside na construção, ao longo do tempo, de mercados específicos para produções independentes. Isso significa que ocorreram avanços específicos na implementação e criação de meios de comunicação especializados, tais como: revistas, programas de TV, rádio e Internet, pontos de venda (lojas de discos) e de exposição particulares para nichos culturais (clubes de música eletrônica ou pequenos bares para bandas iniciantes), funcionando numa lógica alternativa ao “grande mercado” fonográfico (THORTON, 1996).
Porém, nos tempos atuais, com o advento da “pirataria”, do download de músicas em computadores e celulares, houve uma queda considerável nas formas de consumo da indústria fonográfica. Fato que traz para a tônica das discussões quais as estratégias de divulgação, o subgênero Black Metal de Salvador tem traçado dentro de sua característica musical independente?
No intuito de responder a esse problema, neste artigo, estabeleceu-se um paralelo sobre as noções que embalam a indústria fonográfica tida como independente na capital Soteropolitana, assim como as estratégias por ela desenvolvidas dentro deste vasto celeiro musical, que é a Bahia de Todos os Santos.
A indústria fonográfica brasileira, num sentido mais amplo, compreende as etapas de produção e distribuição. Este mercado compreende, também, a imprensa especializada, dos fabricantes e dos distribuidores de equipamentos. Segundo Silva (2001) essa indústria, ainda conta com os contratos de comercialização, royalties e direitos autorais, além de empresários particulares e “os agenciadores de licenciamento”. No entanto, para Verón (1996):

As condições produtivas dos discursos sociais têm a ver, ou com as determinações que dão conta das restrições de geração de um discurso e de um tipo de discurso, ou com as determinações que definem as restrições de sua recepção. Chamamos as primeiras condições de produção e, as segundas, condições de reconhecimento. Os discursos são gerados sob determinadas condições, que produzem seus efeitos sob condições também determinadas. É entre esses dois conjuntos de condições que circulam os discursos sociais (VERÓN, 1996, p.127).

Sob essa perspectiva, a canção popular massiva passa a representar o ponto de partida para a abordagem dos aspectos sociais e culturais do consumo da música, afirma Jeder Júnior (2006). Complementando a sua análise, o autor considera que a dimensão plástica e material deve ser devidamente analisada para uma melhor compreensão dos aspectos midiáticos da música popular massiva. Torna-se necessário, portanto, a identificação do modo como as estratégias discursivas que demarcam os gêneros musicais ou as marcas estilísticas de determinados músicos são estruturados, tanto tecnicamente quanto nos aspectos midiáticos configurados nas técnicas de gravação, nos arranjos, nas performances e no endereçamento a um público específico.
A metodologia aplicada à pesquisa que resultou na elaboração deste artigo foi de natureza exploratória, contando com a revisão documental, a qual foi complementada pela pesquisa de campo, através da observação de uma banda do subgênero Black Metal na cidade do Salvador, a “Imperial Baphomet”.

2 Black Metal: conceitos e ramificações

Segundo a Enciclopédia Eletrônica Wikipédia (2008)
[3] o Black Metal é um subgênero do metal. Este subgênero evoluiu do thrash metal no início dos anos 80 paralelamente ao death metal, um outro gênero do metal extremo. Este novo estilo é ainda mais agressivo que o thrassh metal e incorpora em suas letras temas como satanismo e Paganismo (em particular a mitologia nórdica). Algumas bandas consideradas precursoras do estilo são: Venom, Hellhammer, Bathory, Sodom, Celtic Frost, Bulldozer, Destruction e Mercyful Fate. Algumas das bandas mais influentes no início deste estilo foram: Burzum, Darkthrone, Emperor, Immortal, Sarcófago e Mayhem.


Podem, também, ser destacadas três “ondas” do Blacl Metal, são elas:

· A primeira onda, formada por descontentes com o excessivo rumo comercial o qual o metal parecia estar fadado, bandas como Venom e Mercyful Fate destacaram-se por mostrar interesse em compor músicas mais obscuras e agressivas.O ideal de anti-comercialismo e elitismo do Black Metal começa a ser forjado nessa época, onde será cristalizado na segunda onda do Black Metal através das idéias do filósofo alemão Nietzche;

· A segunda onda é marcada pela mudança de foco do Black Metal: dos Estados Unidos Da América diretamente para a Noruega. Devido aos traços culturais serem fortes em toda a Europa, o Black Metal ganha novos valores (que não somente o famoso e tradicional: 'sexo, drogas e rock n' roll' adotado por várias bandas do meio Heavy metal. Ele adota uma série de valores que irão contribuir mais tarde para a sua fama). O estilo foi fortemente influenciado por duas bandas que passaram a representar duas correntes:
Burzum, que representa a corrente mais filosófica, pró-paganista, anti-cristã e anti-satanista; foi grandemente influenciada por Nietzsche e a corrente representada pela banda Mayhem: anti-cristã, satânica (embora isso seja interpretado por muitos como contradição) e fortemente blasfêmica;

· A terceira onda representada pelas queimas de igrejas, assassinatos e o radicalismo extremado do Black Metal da segunda fase juntamente com a ascensão de bandas nos EUA que se identificavam com o Black Metal da segunda fase, fez com que o estilo ganhasse grande atenção da mídia. Pode-se dizer que foi a onda que distorceu o novo ideário político-filosófico-cultural que estava sendo delineado pela segunda onda do Black Metal, em busca de uma imagem meramente satânica ou simplesmente "chocante" (fato estimulado pela indústria da música). Apesar da mídia distorcer o movimento Black Metal
[4], nessa fase, o estilo e consequentemente suas idéias foram grandemente divulgadas (embora distorcidas) foram criados também vários sub-generos, e pode-se dizer que a parte instrumental do Black Metal sofreu novas influências.



As canções de black metal costumam apresentar uma ou mais das seguintes características:

utilização de tons menores visando à criação de atmosferas musicais sombrias, frias, obscuras e melancólicas;

gitarras rápidas usando a técnica de palhetadas em
tremolo;

letras de cunho anti-cristão ou ligadas ao
Paganismo, Satanismo, Mitologia e Ocultismo em geral. Existem ainda bandas em que as letras são ligadas ao Niilismo, Anti-Humanismo, algumas até mesmo à Depressão, Suicídio ou doenças mentais. Vale notar que bandas como Deicide, Immolation e Slayer possuem algumas músicas com letras referentes a alguns desses temas, porém estas bandas são consideradas respectivamente bandas de Death Metal (Deicide e Immolation) e Thrash Metal (Slayer);

bateria rápida e agressiva, geralmente usando a técnica de "
blast beats". A bateria também pode assumir uma sonoridade mais seca e vagarosa de forma a criar diferentes atmosferas para a canção;

os vocais geralmente são guturais e agudos, mas existem muitas bandas que utilizam estilos vocais bastante variados, ainda sempre "rasgados";

utilização ocasional de teclados,
Harpas, violinos, órgãos e coros são relativamente comuns, proporcionando à música uma sonoridade de orquestra. As bandas que se utilizam de teclados ou instrumentos sinfônicos são consideradas bandas de Symphonic Black Metal;

produção musical limitada e gravação de álbuns com
baixa fidelidade. Este expediente é utilizado intencionalmente como uma afirmação contra a canção "mainstream" ou para criar atmosferas diferentes na canção. Este efeito de "subprodução" é obtido cortando-se as freqüências mais altas e as mais baixas, deixando apenas as freqüências médias. Poucas bandas pioneiras do estilo ainda se utilizam de tal recurso, pois sua produção musical limitada era causada principalmente por seus baixos orçamentos (WIKIPÉDIA, 2008).

Sobre o comportamento dos Jovens, adeptos a esse segmento musical, existem estudos que os classificam como “tribal”, conforme será analisado a seguir.

2.1 O Comportamento Tribal dos Jovens

No Livro organizado por José Machado Pais (2004, p.9) as tribos urbanas são classificadas como uma heteronomia – classificação atribuída a determinados indivíduos por terceiros, definindo "outros" estranhos, "ex-óticos" porque fora da ótica da normalidade –, integra de formas bem específicas os indivíduos por ela designados, o que equivale a dizer que as classificações são integradas de modo também peculiar nas falas e comportamentos desses indivíduos.
Como os jovens são objeto primordial do uso da metáfora, o autor levanta questionamentos, como: de quem se trata? Esses jovens identificam-se com a etiqueta? Quais as razões, os fins e os efeitos desse processo de classificação? (PAIS, 2004, p. 10).
Segundo reflexões da Dra. Fraya Frehse (2006), no livro organizado por PAIS; BLASS os autores que participam da análise oferecem uma variedade de perspectivas acerca da questão. Essa variedade de perspectivas fornece ao leitor uma ampla plêiade de dados sobre contextos sociais variados unidos por uma matriz lingüística comum: o português. São, em Machado Pais, imaginários musicais e de sociabilidade fortemente referenciados pela memória de um passado que, não vivido, é mitificado como tribal e africano. Costa, por sua vez, constrói uma história dos carecas de Cristo que ressalta a política de conversão empreendida por pastores evangélicos em relação a jovens nas grandes cidades brasileiras a partir de finais dos anos de 1980. Já Ferreira conduz à sociogênese não apenas das práticas de marcação corporal na Europa desde a Idade Média, mas também à do seu "renascimento" no Portugal contemporâneo. De marginais, transformam-se em bens de consumo juvenis que promovem o corpo a "imagem corporal" dotada de um estilo próprio, crucial para a produção de identidades grupais e/ou pessoais. Araújo traz o leitor de volta ao Brasil, em particular às ruas do bairro do "Recife Antigo" da década de 1990 – a grupos, vocabulário e tipo de letra musical envolvidos na consolidação sociológica do movimento musical que, preconizando a associação entre os sons da terra recifense, cujo signo máximo seria o "mangue", e influências técnicas globais, é pela autora denominado "MangueBit" (embora na mídia apareça como "mangue beat"). O capítulo de Bastos é um retorno a Lisboa que confronta usos do espaço urbano por parte de "lisboetas comuns", nativos, com aqueles de "migrantes" referenciados como "africanos", "chineses", "eslavos". Para os primeiros, seria crucial a díade casa-rua; para os últimos, a praça. Enfim, uma última volta ao Brasil: blass, por sua vez, trata das quadras e dos desfiles de escolas de samba paulistanas e, às vezes, das cariocas, explorando dois momentos da produção artística carnavalesca: a apresentação do enredo aos integrantes das escolas e o desfile propriamente dito.
Frehse (2006) ao analisar a identidade, sob a perspectiva da música no livro de PAIS ; BLASS (2004, p.12; 18) considera que “a ritualização de identidades sociais ” – e de um ponto de partida analítico – a metáfora da “ tribo urbana ”. Esta é enfocada , segundo Machado Pais , como heteronomia ligada , por um lado, a manifestações de resistência à adversidade – conforme com a idéia de “ atrito ”, etimologicamente implícita ao termo “ tribo ”; por outro , a formas de sociabilidade orientadas por normas de natureza estética e ética que implicam maneiras peculiares de ritualizar “ vínculos identitários ”, sobretudo relacionados à produção artística.

3. Estratégias de Divulgação da Indústria Fonográfica

A indústria fonográfica representa atualmente no mundo um negócio de 40 bilhões de dólares. As principais estratégias de divulgação utilizadas pela indústria fonográfica são:

· CD – Compact Disc;
· DVD – Digital Versatile Disc;
· Outdoors
· Tournees
· Mídia Televisiva (programas de auditório, tema de novelas, trilhas sonoras de filmes, etc.);
· Mídia Jornalística (divulgação do evento em horário nobre);
· Rádio (local, regional e em rede nacional);
· Lançamento do CD/DVD em grandes espaços de interação (estádios, Teatros, Praças, etc.);
Internet – distribuição da música via rede, através de programas de venda ao consumidor e que podem ser baixados para o MP5, MP4 e para o formato MP3, os quais apresentam algumas possibilidades diferentes de venda e distribuição de música. A partir de 1997/98 os jovens internautas dos Estados Unidos, primeiramente, e depois do mundo inteiro começaram a converter para MP3 suas músicas preferidas para escutá-las nas caixas de som de seus computadores. O passo seguinte foi enviá-las para amigos e disponibilizá-las em sites no WWW (World Wide Web). Em questão de meses milhares de canções estavam disponíveis na rede. (PAIS; BLASS, 2004).

A estratégia de divulgação via indústria fonográfica, atendem a uma demanda do capitalismo, estimulando ao consumo.

A produção só cumpre seu destino de ser consumo por meio de um sistema que lhe atribui significação, permitindo participar de um idioma e ser expressão em uma linguagem. O consumo é, portanto, o sistema que classifica bens e identidades, coisas e pessoas, diferenças e semelhanças na vida social contemporânea. (ROCHA, 2004, p.87).

Para Simone Pedreira de Sá (2005), Doutora em Comunicação e Cientista Social da Universidade Federal Fluminense, “boa parte do negócio musical implica em persuadir consumidores a comprarem um novo disco, no momento de seu lançamento, entediarem-se após algumas semanas de escuta e trocá-lo por um novo, sucessivamente.Para tanto, a articulação entre as paradas semanais de sucessos (as listas de tops of the chart); as revistas especializadas e as rádios é fundamental, transformando a musica pop em novidade e datando os discos com precisão.
Diante do exposto e, no intuito de comparar as estratégias de divulgação que são utilizadas pelo subgênero musical Black Metal, buscou-se junto a Banda Imprerial Baphomet estabelecer um paralelo visivel do seu poder de impacto, junto ao público consumidor.



4. Estratégia de Divulgação de uma Banda “independente”: a Imperial Baphomet

A banda escolhida para realizar o estudo sobre as estratégias de divulgação, chama-se Imperial Baphomet e foi criada em 06 de desembro de 2005. Criada por “Infame”, pseudônimo do vocalista do grupo e por um outro integrante da banda, pertence ao subgênero Black Metal. Segundo os integrantes da banda, a mesma passou por inúmeras transformações até chefgar aos dias atuais.
A Imperial Baphomet é constituída por quatro integrantes. Suas músicas não possuem mediação de divulgação aberta, como CDs, rádio, DVD, sites, ou outros meios midiáticos de comunicação. O processod e divulgação da banda é feito por fly (uma espécie de panfleto) e contratos por telefone, de forma bastante restrita aos adeptos desse tipo de som.
O processo de divulgação se dá de maneira muito simples: os adeptos do som informam para amigos de amigos e, assim a quantidade de pessoas vai crescendo a cada novo show. A montagem dos shows é realizada pelos próprios músicos, não há nenhum tipo de equipe especial dedicada à produção do evento, como ocorre entre as bandas de sucesso.
Quanto as músicas, essas são todas resultado da produção interna da banda, pois estão intrinsecamente relacionadas ao momento em que a banda está vivendo. Até o presente ano, a Imperial Baphomet só lançou um álbum e está finalizando o segundo, cuja previsão de lançamento é final de 2008.
Existem locais específicos para a realização dos eventos, conforme a saber: nos bairros do Rio Vermelho (Idearium); na Carlos Gomes (Clube de Engenharia) e Centro (Espaços Periféricos). Os indivíduos que assistem ao show, são todos adeptos do som, mas isso não significa que pessoas ineptas ao Black Metal não possam participar do evento.
Segundo os integrantes da banda, anualmente, eles fazem entre vinte e vinte e cinco shows, para um número de pessoas que tem aumentado significativamente de 2005 para cá. Em eventos realizados nos primeiros anos da banda a quantidade de adeptos chegava a 80 (oitenta pessoas), porém, nos dias atuais esse número chega a alcançar, aproximadamente, a 160 (sento e sessenta) frequentadores.
O número apresentado pela Banda Impewrial Baphomet, que encontra-se no mercado há três anos, não apresenta qualquer expressividade ao ser comparada aos dados apresentados pela indústria fonográfica, com a sua visão de lucro, inclusive com o uso da Internet, essa mais nova modalidade de divulgação. Conforme dados apresnetados por De Marchi (2004) entre os anos de 1983 e 1995 o faturamento mundial das multinacionais fonográficas passou de 10 para 40 bilhões. Entretanto, a partir de 1999, as grandes gravadoras registram declínio crescente de vendas, enquanto o consumo legal de música pela Internet, entre 2004 e 2005, passou de 157 para 180 milhões.

5. Considerações Finais

Sendo assim, pode-se concluir que a indústria fonográfica, em suas estratégias de divulgação e distribuição da música, apela para as mais diversas modalidades de expressão de alcance das massas. Essa, ao longo das épocas investiu e faturou bilhões de dólares, mantendo-se no mercado de consumo musical, mesmo diante da crise desencadeada pela “pirataria”.
Quanto ao subgênero, dito independente, como é o caso da Banda observada, esta dificilmente alcançará uma popularidade mais abrangente, visto seu poder de alcance ser limitado e restrito. Vale ressaltar que, as estratégias utilizadas pela Banda Imperial Baphomet, o fly e a divulgação boca-a-boca, ao tempo em que se configura como uma estratégia de menor custo trata-se, também, de uma opção do gênero, que deseja como seu público-alvo, prioritariamente, adeptos desse segmento musical.

Referências

FRAGA, Danilo. O beat e o bit do rock brasileiro: internet, indústria fonográfica e a formação de um circuito médio para o rock no Brasil. In: Revista da Associação Nacional dos
Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Agosto de 2003.Disponível: <
http://www.compos.org.br/e-compos>. Acesso em 20 de maio de 2008.

FREHSE , Fraya. Tribos urbanas: produção artística e identidades (Resenha). Revista Brasileira de Ciências Sociais. 2006. Disponivel em:
. Acesso em 05 de junho de 2008.

JANOTTI Jr, Jeder – Aumenta que isto aí é rock and roll. Mídia, gênero musical e
identidade. Rio de Janeiro: E-Papers, 2003.

_________________. Á procura da batida perfeita: a importância da noção de gênero
musical para a música popular massiva. In:Mídia, música (pop) ular e sociedade. Revista ECO-PÖS, v.6, n.2. Ripo de Janeiro– agosto a dezembro de 2003.

REIS, José Machado; BLASS, Leila Maria da Silva (orgs).Tribos Urbanas: produção artística e identidades. São Paulo: Anablume, 2004.

ROCHA, Everardo. Comunicação, troca e classificação: notas para uma pesquisa do consumo como sistema cultural. In: Comunicação, representação e práticas sociais. Pereira,Miguel et alli (orgs). Rio de Janeiro: PUC-Rio, Aparecida SP, Idéias e Letras. 2004.

SÁ, Simone Pereira de. A nova ordem musical: notas sobre a noção de “crise” da indústria fonográfica e a reconfiguração dos padrões de consumo. In: Anais da Intercom de 2005. RJ, UERJ, 2005.





[1] Trabalho Apresentado à Disciplina Teorias da Comunicação II, do Curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, Salvador, BA, em junho de 2008.
[2] FSBA, e-mail: danielinps@hotmail.com
[3] Windows Explorer, 2003.

Conceitos de René Descartes


CONCEITOS:

Res Cogitans: Enquanto a razão se tornava alma, coisa pensante/ coisa que pensa.
Res Extensa: O espaço, realidade material, coisa extensa/ o corpo/ algo material, físico.

Para Descartes res cogitans e res extensa são dois elementos fundamentais ao qual o universo é constituído e a junção desses dois elementos (inteligência+matéria), juntamente com Deus, formam a trindade universal (res infinita). Conceituando res infinita Deus, o intermédio entre “coisa pensante” (res cogitans) e o mundo físico “mundo sensível” (res extensa).

A IDÉIA DE DEUS ASSEGURA A EXISTÊNCIA DO MUNDO?

O pensamento de Descartes, cogito ergo sum “penso, logo existo” surgi a partir do momento a idéia de infinito e de perfeição. Deus considerado um ser perfeito não poderia ser criado pelo homem imperfeito, seguindo o pensamento de um Deus bondoso, não pode enganar, deixando a idéia de que é verdadeiro crer na existência de Deus para crer na existência do mundo. “Se Deus é perfeito, ele não pode ter querido enganar-me e todas as minhas idéias claras e distintas são garantidas pela veracidade divina. Uma vez que Deus existe, eu então posso crer na existência do mundo”.



A DÚVIDA HIPERBÓLICA QUE CONDUZ A IDÉIA DO EU!

A idéia de que “eu” sou uma máquina que pensa, os meus músculos são comandados pelo cérebro através do sistema nervoso. Ele nega a capacidade de compreender de modo a responder ao sentido de tudo o que se diz na sua presença. Se é algo que pensa pode gerar idéias e assim essa idéia do “eu” é a pretensão, segundo Descartes, inata ao próprio Homem. Já que um corpo é capaz de movimentos resultantes então é capaz de conduzir a sua concentração ‘divina’ e humana.

POR QUE O EU É INDUBITÁVEL?

Descartes a partir da dúvida pensa,
“se penso, logo existo”, mesmo não tento certeza de que seus pensamentos são verdadeiros, o importante é que ele pensa. Confirmando após sua existência o eu indubitável.


O QUE SE ENTENDE POR IDÉIAS CLARAS E DISTINTAS?

Pensamentos claros e distintos. O pensado nele é perfeitamente discernível do pensado em qualquer outro pensamento, e a demais o pensado nele está perfeitamente dividido nos seus elementos, de sorte que eu posso colocar a atenção sem haver confusão nos diferentes elementos ou partes de que se compõem este pensamento. Algo ao qual não pode ser confundida.



SE OS SENTIDOS ENGANAM, COMO CONFIAR NA EXISTÊNCIA DO MUNDO?

A cofiança na existência do é dada logo após a existência de um Deus e a quebra do pensamento de um gênio maligno, enganador. A confiança na existência de Deus faz passar a ser confiável a existência realmente fora de mim (realidade exterior), de modo que há um pensamento que se distingue de todos os demais pensamentos claros e distintos porque contém no próprio pensamento esta garantia de existência do seu objeto.

DESCARTES QUESTIONOU A EXISTÊNCIA DO MUNDO.


Pela busca da verdade Descartes duvida de tudo, não estando satisfeito até então com os pensamentos filosóficos, tentar descobrir uma certeza indubitável para questionar até mesmo da sua própria existência na busca da verdade. O caminho seguido pelo homem é duvidoso, com os sentidos que podem ser falsos e incertos e julgando com se tudo e todos fossem enganadores.

Dissertação sobre: A verdade no Jornalismo a partir do conceito de racionalidade

No jornalismo o conceito de racionalidade pode se adequar quando se fala de “verdade” palavra que para esta área pode significar qualidade ou validade do conteúdo dos trabalhos jornalísticos. A expressão da verdade nos fatos exibidos leva o conceito de racionalidade (verdade e realidade) mais próximo do fato em si, pois, o jornalismo não é a realidade exata e sim o retrato da realidade contada ou assistida por alguém, mas este mesmo conceito é levado na profissão jornalística das quais promessas de um relato fiel e reprodução perfeita dos acontecimentos são utilizadas nessa concepção.
Se baseado na realidade, a verdade pode ser a resposta que o homem dá as questões do mundo. O conteúdo existente no jornalismo não pode ser chamado de “verdade absoluta”, mas a expressão da verdade e da situação comunicada, que pode ser violada por qualquer profissional com interesses isolados.
A racionalidade pode ser vista no setor jornalístico uma meta a ser conquistada a cada momento por todos os profissionais e agências de comunicação, no qual para ajudar nesta regularidade de realidade foi feito o Código de Ética do Jornalista e dos manuais de redação, que envolve o jornalismo em dilemas de como retratar uma realidade mesmo sem esta no local.
A comprovação de dados com grandes especialistas podem ajudar nessa tal “verdade” obtida no conceito de racionalidade, o racional, verdadeiro, real, imaginável pela sociedade. No jornalismo atual, mostrar a questão do real é cada vez mais necessário, a sociedade que depende deste meio de comunicação necessita de textos que argumentem de forma concreta os fatos do cotidiano. Entretanto por muitas agências se é visto a máscara posta no jornalismo, apresentado em tantos lugares, pois quando o real se trata de alguém que possua influência essa tal realidade é tampada Pela Irracionalidade.
“A vaga do intelectualismo, do racionalismo, lança-se sobre todos os problemas do mundo, da ciência e da vida. Porém chegará o momento em que aparecerá no horizonte da cultura moderna um problema para resolver contra o qual o intelectualismo e o racionalismo nada poderão, e é o problema da história.” FILOSOFIA DE DESCARTES