Salvador é uma cidade que contem lugares incríveis, um deles que se destaca pelo clima boêmio e por uma incomparável magia é o bairro do Rio Vermelho, repleto de restaurantes, bares, hotéis e muita musica esse local torna-se popular e bastante acessível à grande parte da sociedade soteropolitana. A parte que eu mais gostava era o bar Santa Bárbara onde me reunia com a galera e sentava para ouvir boa musica e dar muitas risadas, a turma era formada de oito pessoas, eu, Nanda, Beto, Thiago, Aline, Marcos, Julio e Ruy, nós éramos unidos e sempre saiamos juntos para os barzinhos que ficavam próximos de nossas casas.
Com o passar do tempo os lugares que gostávamos de freqüentar foram ganhando um novo tipo de clientela, pessoas que só estavam lá pra se embriagar e procurar confusão. O Rio Vermelho já não era o mesmo, à medida que o bairro se tornava mais freqüentado, ficava cada vez mais violento, fazendo com que nos afastássemos da nossa segunda casa. Mas nem todos achavam que por esse motivo tínhamos que deixar de freqüentar os lugares de costume, um deles era o Ruy que não aceitava que lhe fosse suprimida a liberdade de continuar se divertindo nos bares de sempre, mesmo que sozinho Ruy continuou a sua rotina noturna e como já era de se prever ele se envolvera numa briga em que ficou jurado de morte, mas nem por isso Ruy deixou de freqüentar os mesmos locais.
Final de ano e a ansiedade cresce ao pensar nas festas que estão por vir. Dia 23 de dezembro, já bem próximo do natal e nada parecia impedir o encontro da nossa galera em minha casa, todos estavam convocados a passar a noite do dia 24 juntos. Mais o não tão inesperado aconteceu, por volta das duas horas da madrugada do dia 24, Ruy foi assassinado com três tiros a queima roupa por Eliezer Cardoso da Silva o guarda civil que em algum tempo atrás o teria jurado de morte. O crime aconteceu na porta do bar que mais freqüentávamos, Bar Santa Bárbara, de onde a vitima se retirava e em cujo assassino prestava serviços de leão de chácara (segurança). No amanhecer do dia fiquei sabendo de tudo que tinha se passado, pois morava próximo ao local que Ruy foi morto, a noticia se espalhou rapidamente entre os amigos e familiares, foi chocante para todos que conheciam ou não o nosso amigo. A véspera do natal não foi como esperado, tornou-se ao invés de uma confraternização alegre, um velório triste e inconfortável por saber que um jovem de vinte quatro anos foi vitima da covardia de um homem que o assassinou com uma arma de fogo. Depois do assassinato de Ruy, o Rio Vermelho mergulhou numa fase de hibernação que durou cerca de nove anos.
Escrito em 05/07.
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